Um olho no peixe e outro no gato
Saca, não sou de ficar falando muito abertamente sobre o que eu penso sobre tudo e todos, filosofando, gosto de fazer isso mais pessoalmente, olho no olho, em uma discussão, conversa. Eu já tive um blog antes, sei lá, uns 5 anos atrás acho (ou até mais), era uma época que eu não estava tão bem, problemas por todos os lados (todos nós temos na verdade), então eu meio que desabafava nessa “conversa-comigo-mesmo-e-obrigado-pelos-comentarios-sobre-o-meu-post”… mas demorou um tempo para entender que o “pessoalmente” não só te faz ter uma resposta imediata ao seu argumento, como você tem “pouco” tempo para pensar e você sente aquela sensação de quando algo que você jurava que estava 100% certo, em apenas 3 segundos após o que vc falou, alguem olhou no seu olho e te mostrou que você estava totalmente errado ao pensar assim… você não passou 1 hora resgatando todas as palavras certas, montando todas as frases perfeitinhas, para aquele que chegar a ler, ler o que você escreveu imaginando estar fazendo isso por trás dos olhos de quem escreveu… você simplesmente leva um tapa na cara e revida na hora, com as palavras que vierem no momento e com o tom de voz entregando a sua incerteza com o que você pensava a alguns segundos atrás. Impagável essas horas, e eu gosto tanto de surpreender como de ser surpreendido.
Pra mim, cresço muito mais dessa maneira do que ficar matutando horas e horas atrás de argumentos para fazer valer a minha opinião, e só quando perceber que não achei nada “válido”, aceitar.
Mas as pessoas sabem jogar.
Alguns são bem inteligentes na verdade… já parou pra pensar que em um Big Brother desses ai (não, não assisto mais essa m****, assisti o 1º acho e só), você assiste as pessoas “jogarem” com os sentimentos lá dentro, em busca de algo a mais só para ela?
Sei que é um assunto totalmente fútil, mas é legal ver as pessoas enganarem, é legal ver as pessoas serem enganadas, ver o que vai acontecer, ver o que tal pessoa vai falar quando descobrir tal coisa… você cria perfis, opina sobre o que você está vendo, sobre o que você sabe… você espera essas horas, não é?
Mas e se fosse com você?
Na “vida real”, você escolheria saber de todos os jogos ao seu redor?
De todas as palavras camufladas, os sorrisos calculados, se as suas certezas são reais?
Você entraria nesse jogo para ganhar, ou o espírito esportivo de “o que importa é competir” é válido para isso também? O que seria competir com as suas incertezas? Entrar para o jogo, ou entregar-se as palavras e olhares, como se você estivesse por trás das bocas e olhos de quem está, naquele momento, na sua frente…?
Lembro de uma frase engraçada em um diálogo do seriado Friends (um dos meus favoritos, junto com o Two and a Half Man):
“Phoebe : They don’t know that we know they know we know.”

Nunca diga nunca.
E nunca tenha tanta certeza assim.